Graças a Deus, a proposta de emenda à Constituição d@s DIP’s e outras tantas – e tantãs – não tem chance de serem aprovadas por três quintos da Câmara, três quintos do Senado, e ainda por cima, em dois turnos, mesmo que os Depressiv@s Irracionais Psicopatas consigam iludir grande parte da população. Por isso, posso planejar minha candidatura para 2010 sem receio algum. Ainda é cedo para tomar a decisão acerca do cargo disputar. Mas o discurso de campanha eu já tenho e ele será igual, independente de concorrer para a vaga de senador, deputado federal ou deputado estadual. A precária educação no maior país dos trópicos favorece pronunciamentos cheios de emoção, mesmo que fracos na argumentação[i]. E há indícios de que o perfil educacional do eleitorado roraimense seja parecido com o do eleitorado nacional[1][ii].
Eu farei questão de ressaltar a beleza do estado e de sua geografia, com destaque para o misterioso Monte Roraima e o setentrional Monte Caburaí. Afirmarei que minha luta será pelo desenvolvimento do turismo local. Falarei também sobre investimentos públicos e privados, bem como mais empregos para a população. Se a ecologia ainda estiver na moda, usá-la-ei em meu discurso de campanha. Prometerei muito mais, até porque prometer é fácil. Poucos se importam caso a realização das promessas ultrapasse em algumas vezes o orçamento do estado. Matemática não é forte do cidadão brasileiro[2]. Provavelmente, nem do cidadão roraimense.
Não posso acabar esse texto sem prestar minha homenagem aos primeiros parlamentares do período pós-ditadura. Eles fizeram parte da Assembléia Constituinte (1987-88), que transformou um Território escassamente povoado na menor Unidade da Federação brasileira[3][iii]. Congratulações à parte para a Subcomissão de Estados desta Assembléia, mas essa é uma outra história, que se encontra na Curiosidade 13,72B.
FIM?
■
[1] Entre aqueles com 15 anos ou mais em Roraima, 13,0% têm menos de um ano de estudo, 11,4% de um a três anos, 23,8% de quatro a sete e 51,77% oito anos ou mais, contra (11,9%; 11,6%; 27,4% e 49,0%) no Brasil.
[2] O Instituto Paulo Monte Negro e a ONG Ação Educativa também pesqui-saram o domínio da população adulta entre 15 e 64 anos e constatou que 77% dos brasileiros nesta extensa faixa etária não dominam conceitos da matemática elementar como proporções e expressões que envolvem mais de uma operação – multiplicação seguida de uma adição, por exemplo.
[3] O IBGE estima que Roraima tivesse 148.795 habitantes em 1º de julho de 1985 e 162.800 em 1º de julho de 1986.
■
[i] IPM – Analfabetismo – INAF Leitura e Escrita – 2005
http://www.ipm.org.br/an_ind_inaf_5.php
[ii] Departamento de Informática do SUS – Indicadores e Dados Básicos (IDB2006) – B Indicadores socioeconômicos Brasil – B.2 Níveis de escolaridade – Período 2005
http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?idb2006/b02.def
[iii] IPM – Analfabetismo – INAF Leitura e Escrita – 2004
http://www.ipm.org.br/an_ind_inaf_4.php