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Minha campanha eleitoral

12 setembro, 2009

Graças a Deus, a proposta de emenda à Constituição d@s DIP’s e outras tantas – e tantãs – não tem chance de serem aprovadas por três quintos da Câmara, três quintos do Senado, e ainda por cima, em dois turnos, mesmo que os Depressiv@s Irracionais Psicopatas consigam iludir grande parte da população. Por isso, posso planejar minha candidatura para 2010 sem receio algum. Ainda é cedo para tomar a decisão acerca do cargo disputar. Mas o discurso de campanha eu já tenho e ele será igual, independente de concorrer para a vaga de senador, deputado federal ou deputado estadual. A precária educação no maior país dos trópicos favorece pronunciamentos cheios de emoção, mesmo que fracos na argumentação[i]. E há indícios de que o perfil educacional do eleitorado roraimense seja parecido com o do eleitorado nacional[1][ii].

Eu farei questão de ressaltar a beleza do estado e de sua geografia, com destaque para o misterioso Monte Roraima e o setentrional Monte Caburaí. Afirmarei que minha luta será pelo desenvolvimento do turismo local. Falarei também sobre investimentos públicos e privados, bem como mais empregos para a população. Se a ecologia ainda estiver na moda, usá-la-ei em meu discurso de campanha. Prometerei muito mais, até porque prometer é fácil. Poucos se importam caso a realização das promessas ultrapasse em algumas vezes o orçamento do estado. Matemática não é forte do cidadão brasileiro[2]. Provavelmente, nem do cidadão roraimense.

Não posso acabar esse texto sem prestar minha homenagem aos primeiros parlamentares do período pós-ditadura. Eles fizeram parte da Assembléia Constituinte (1987-88), que transformou um Território escassamente povoado na menor Unidade da Federação brasileira[3][iii]. Congratulações à parte para a Subcomissão de Estados desta Assembléia, mas essa é uma outra história, que se encontra na Curiosidade 13,72B.

FIM?


[1] Entre aqueles com 15 anos ou mais em Roraima, 13,0% têm menos de um ano de estudo, 11,4% de um a três anos, 23,8% de quatro a sete e 51,77% oito anos ou mais, contra (11,9%; 11,6%; 27,4% e 49,0%) no Brasil.
[2] O Instituto Paulo Monte Negro e a ONG Ação Educativa também pesqui-saram o domínio da população adulta entre 15 e 64 anos e constatou que 77% dos brasileiros nesta extensa faixa etária não dominam conceitos da matemática elementar como proporções e expressões que envolvem mais de uma operação – multiplicação seguida de uma adição, por exemplo.
[3] O IBGE estima que Roraima tivesse 148.795 habitantes em 1º de julho de 1985 e 162.800 em 1º de julho de 1986.


[i] IPM – Analfabetismo – INAF Leitura e Escrita – 2005
http://www.ipm.org.br/an_ind_inaf_5.php
[ii] Departamento de Informática do SUS – Indicadores e Dados Básicos (IDB2006) – B Indicadores socioeconômicos Brasil – B.2 Níveis de escolaridade – Período 2005
http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?idb2006/b02.def
[iii] IPM – Analfabetismo – INAF Leitura e Escrita – 2004
http://www.ipm.org.br/an_ind_inaf_4.php

Curiosidade 13,72A – Esquema de classes em formato tabular

12 setembro, 2009
ESQUEMA DE CLASSES EM FORMATO TABULAR


Unidade

Federativa

habitantes

Câma-

ra

habitantes

p/cadeira

vantagem

de RR[1]

clas-se

Roraima

391.317

8

48.915

1,000

Amapá[2]

594.587

8

74.323

1,519

Acre

669.736

8

83.717

1,711

Tocantins

1.305.728

8

163.216

3,337

Rondônia

1.534.594

8

191.824

3,922

Sergipe

1.967.791

8

245.974

5,029

Mato Grosso do Sul

2.264.468

8

283.059

5,787

Distrito Federal

2.333.108

8

291.639

5,962

Paraíba

3.595.886

12

299.657

6,126

Piauí

3.006.885

10

300.689

6,147

Goiás

5.619.917

17

330.583

6,758

Rio de Janeiro

15.383.407

46

334.422

6,837

Alagoas

3.015.912

9

335.101

6,851

Pernambuco

8.413.593

25

336.544

6,880

Maranhão

6.103.327

18

339.074

6,932

Espírito Santo

3.408.365

10

340.837

6,968

Paraná

10.261.856

30

342.062

6,993

Rio Grande do Sul

10.845.087

31

349.842

7,152

Mato Grosso

2.803.274

8

350.409

7,164

Bahia

13.815.334

39

354.239

7,242

Minas Gerais

19.237.450

53

362.971

7,420

Santa Catarina

5.866.568

16

366.661

7,496

Ceará

8.097.276

22

368.058

7,524

Rio Grande do Norte

3.003.087

8

375.386

7,674

Amazonas

3.232.330

8

404.041

8,260

Pará

6.970.586

17

410.034

8,383

São Paulo

40.442.795

70

577.754

11,811

12ª

Brasil (média)

184.184.264

513

378.202

7,732

Tabela  13,72-11 – Habitantes por cadeira na Câmara, dos Deputados e vantagem relativa de Roraima arredondada em 3 casas decimais (em vez de 2) para não passar a impressão de cada Santa Catarina esteja na 8ª classe


[1] A vantagem relativa de Roraima foi arredondada em 3 casas decimais ― em vez de 2 como nas outras tabelas ― para não passar a impressão de cada Santa Catarina esteja na 8ª classe. Esse estado está quase para ser rebaixado para a oitava classe, mas ainda está na sétima.
[2] Repare que o Amapá não ficou na primeira classe junto com Roraima por muito pouco, pois a diferença entre ambos é de 1,519 vezes. OBS: Nossa tendência de truncar um número em vez de arredondá-lo é comentada no ensaio 1,99 – Me engana que eu gosto? .

Curiosidade 13,72B – A Subcomissão de Estados

12 setembro, 2009

As linhas abaixo podem atrapalhar meus planos eleitorais, mas agora que incitei a curiosidade alheia, fica difícil voltar atrás. Seja o que Deus quiser:

“Antes da Constituição de 1988, Roraima já era a região do país com a melhor representatividade na Câmara dos Deputados4 cadeiras para menos de 200 mil habitantesmas ainda não era um estado, e sim, um Território da federação. Como todo Território, sua administração e seus gastos estavam subordinados a Brasília.

Do ponto de vista econômico, Roraima deveria continuar com o status territorial até que mostrasse sinais de auto-sustentamento. Contudo, as decisões da Subcomissão dos Estados – o grupo de parlamentares da Assembléia Constituinte (1987-88), responsável pela parte da Carta magna que trata dos estados-membros da federação – foram de cunho político. Além de Roraima, essa subcomissão também elevou o Amapá (antigo território federal também) e o Tocantins (antiga parte norte de Goiás) à condição dos mais novos estados-membros da federação.

Coincidência ou não, houve a forte e atípica concentração de parlamentares da Região Norte na subcomissão[i] e os três novos estados – que, até hoje, dependem muito dos repasses do governo federal[ii] – acabaram fazendo parte da Região Norte. Outra possível coincidência foi o fato de que o relator da subcomissão, o deputado José Wilson Siqueira Campos (PDC-GO), ter se tornado o primeiro governador de Tocantins. Siqueira Campos foi eleito mais duas vezes governador e seu filho José Eduardo S. C. conquistou o mandato de senador por TO (1999-2007)”.


[i] Scielo – Dados – Celina Souza – Federalismo e Descentralização na Constituição de 1988: Processo Decisório, Conflitos e Alianças.
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0011-52582001000300003&script=sci_arttext
[ii] IBGE – Despesas Públicas por funções 1999-2002
www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/despesasfuncoes/despesasfuncoes2002.pdf


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